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  • Yuri Araujo

A cara da felicidade

A humildade nos leva à satisfação. Quando não alimentamos uma ideia superior de nós mesmos, agradecemos pelo que somos e pelo que temos, e não vivemos em constante insatisfação, o que produziria mau humor e conflitos com os outros. A humildade, portanto, produz gratidão que, por sua vez, floresce em alegria. Esse contentamento, que não significa indiferença em relação aos problemas do mundo, porém, a esperança que nos mantém eretos, vivos e em paz, apesar das adversidades, deveria ser o ideal de todos.


O Brasil sempre é um exemplo desse contentamento, que tem origem na fé e na humildade, pois possui uma cultura que transparece essa felicidade que não se deve a riquezas nem ao conforto. Somos um povo sofredor, porém, alegres. O samba e o forró são duas expressões artístico-culturais que refletem essa alegria. Afinal, nasce na miséria e semeia alegria. “Habitada por gente simples e tão pobre, que só tem o sol que a todos cobre. Como podes, mangueira, cantar?”. A pergunta de Cartola está no mesmo samba que dá a resposta: “Pois então saiba que não desejamos mais nada (...) Aqui se abraça o inimigo como se fosse irmão”.


O espírito de gratidão nos faz lembrar que somos todos irmãos e que, vencendo as intrigas com humildade, não há motivo de ódio ou desprezo. Os discursos de ódio não combinam com o povo brasileiro. Aqui não se cria, tenho fé. Mas não queria com isso provocar ainda mais o ódio de quem tenta afetar a nossa cultura. Queria, sim, animar essas pessoas a buscarem a harmonia numa visão mais realista de si mesmo. Ninguém é superior a ninguém.


Deus distribui os dons e as vocações de modo que possamos nos completar em comunidade, ajudando-nos mutuamente. Se usamos os bens imateriais que recebemos ou seus frutos materiais para humilhar os outros, estamos desviando a função dos bens. Deus nos abençoa para abençoarmos os outros e a humildade é o que nos ajuda nessa visão. Primeiro, para ser grato a Deus por tudo o que recebemos. Segundo, para sermos generosos com as pessoas ao nosso redor, do mesmo modo que Deus é conosco, tratando até o inimigo como irmão e, assim, capaz de produzir tanto alegria quanto beleza, a exemplo de uma árvore frutífera ou mesmo do morro carioca, a Mangueira, segundo o poeta.



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